sábado, 23 de agosto de 2014
Caso Ana Lídia(Os suspeitos: filhos de políticos e o Senador Collor de Mello)
Os suspeitos: filhos de políticos e até futuro presidente.Os suspeitos do crime foram o seu próprio irmão Álvaro Henrique Braga (que, juntamente com a namorada, Gilma Varela de Albuquerque, teria vendido a menina para traficantes) e alguns filhos de políticos e importantes membros da sociedade brasiliense. Mas os culpados nunca foram apontados e o caso Ana Lídia se tornou mais um símbolo da impunidade em Brasília.
As investigações apontaram que Ana Lídia foi levada ao sítio do então Vice-Líder da Arena no Senado, Eurico Resende, situado em Sobradinho, no Distrito Federal. Testemunhas disseram que à noite, Álvaro e a namorada saíram e deixaram a menina com Alfredo Buzaid Júnior, Eduardo Ribeiro Resende (filho do senador, dono do sítio) e Raimundo Lacerda Duque, conhecido traficante de drogas de Brasília. Quando voltaram ao sítio, encontraram Ana Lídia morta. Como o principal suspeito era o filho do então Ministro da Justiça Alfredo Buzaid uma grande polêmica se formou em torno do caso.
Foi sequestrada, torturada, cabelos cortados, queimada por ponta de cigarros e acredite, após ser morta por asfixia, foi estuprada. Seu copo foi encontrado perto da Universidade de Brasília.
Entre os suspeitos estava também o futuro Presidente da República Fernando Collor de Mello, que, na época, tinha 24 anos de idade. Não há evidência que Collor esteja envolvido no crime, mas mesmo assim durante a campanha eleitoral de 1989 Collor foi acusado de ter participado do crime.
O caso é abafado pela ditadura militar
Em um momento da história nacional em que a ditadura militar controlava as investigações que lhe diziam respeito, como era de se esperar, não houve muito rigor nas investigações. Digitais não foram procuradas no corpo da menina, as marcas de pneus foram esquecidas e sequer se efetuou análises comparativas do esperma encontrado nas camisinhas com o dos suspeitos. E o que era mais estranho: houve uma grande passividade por parte dos próprios familiares de Ana Lídia.
A força do poder dominante para sufocar a divulgação do assunto pode ser medida por um episódio citado por Jávier Godinho em sua obra "A Imprensa Amordaçada". No dia 20 de maio de 1974 jornais, rádios e estações de televisão do país receberam o seguinte comunicado do Departamento de Polícia Federal:
De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulgação através dos meios de comunicação social escrito, falado, televisado, comentários, transcrição, referências e outras matérias sobre caso Ana Lídia e Rosana.
—Polícia Federal
Rosana Pandim se tratava de outra garota desaparecida com 11 anos de idade em Goiânia, no mesmo ano da morte de Ana Lídia. Mas, ao contrário do que aconteceu com a menina de Brasília, o corpo de Rosana jamais foi encontrado.
A Reabertura do Processo
Depois que se passaram treze anos da execução do crime o processo foi reaberto porque surgiram novidades sobre o assassinato. A repórter Mônica Teixeira, da Vídeo Abril, garantiu ter testemunhas que poderiam provar que o autor do crime era mesmo o filho do ex-Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, e que, apesar de a imprensa ter noticiado que ele havia morrido em um acidente, dois anos depois do crime, Mônica garantiu que ele ainda estava bem vivo no ano de 1985. Mais uma vez fatos estranhos aconteceram: algumas das testemunhas simplesmente morreram após serem intimadas para depor e não foi imediatamente permitida a exumação do corpo, sendo o processo novamente fechado por suposta falta de provas.
Em 1986, após um ano do pedido inicial, a exumação do corpo de Alfredo Buzaid Junior foi autorizada. Porém, por engano ou descuido da polícia, o corpo exumado foi o de Felício Buzaid, avô do acusado, falecido em 1966. Após uma segunda tentativa, um segundo cadáver, supostamente de Alfredo Buzaid Junior, foi entregue ao IML. Por algum motivo não explicado, os dentes do cadáver estavam removidos, impossibilitando o reconhecimento por arcada dentária (não existia o procedimento de testes de DNA na época). Mesmo assim, em julho de 1986, o legista José Antônio Mello declarou que o corpo enterrado era realmente de Alfredo Buzaid Junior.
O Parque Ana Lídia e a menina santa
Até hoje não houve um desfecho para o caso e ninguém foi punido pelos crimes cometidos. Em homenagem à menina, uma região do chamado Parque da Cidade, próximo à entrada do Setor Hoteleiro Sul, em que estão instalados diversos brinquedos para crianças, passou a ser denominado Parque Ana Lídia. Pela circunstâncias de seu martírio, seu túmulo é um dos mais visitados no cemitério da cidade, sendo cultuada por devotos que acreditam em milagres feitos pela menina, agora considerada uma santa.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Ana_L%C3%ADdia
Denuncia do Deputado Estadual Adriano Diogo-PT, pelo estado de São Paulo em 2009
30 DE NOVEMBRO DE 2009
170ª SESSÃO ORDINÁRIA
O SR. ADRIANO DIOGO - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, V. Exas. estavam falando de bandidinhos, e vou falar de bandidões. Seus apelidos: Alicate, Escovão, Pudim, Helinho, Zé das Vacas, Teo, Alvrinho, Pafon, Lula, Lurdinha, Alex, Pepê.
Quem são esses moços?
Na década de 60, os apelidos acima identificavam os jovens que ajudaram a construir a história da primeira geração de adolescentes da capital federal. Filhos de senadores, de deputados, empresários, diplomatas ou ilustres desconhecidos, eles compartilharam não só o jeans surrado, as noitadas no cerrado, o gosto musical. Juntos, fizeram parte de uma experiência de ensino que celebrou a liberdade e a ousadia em época de extrema repressão.
Quase mil adolescentes figuraram na lista de alunos do Centro Integrado de Ensino Médio, o Ciem, uma escola de segundo grau idealizada para ser um laboratório pedagógico da Universidade de Brasília (UnB), que nasceu e morreu nos braços da ditadura.
Há 30 anos, completados no final de janeiro, as portas do Ciem foram fechadas pelos militares. Nos poucos anos em que funcionou, de 1964 a 1971, o colégio não apenas formou alunos, mas introduziu muitos no movimento estudantil, incutiu neles o gosto pela política, pelo pensamento livre e pelo espírito democrático. O clima revolucionário era tal que a escola protagonizou a primeira expulsão em massa de uma turma de alunos em 1967.
O cenário de todas essas histórias era um colégio na 607 Norte, onde hoje funciona o ambulatório do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Ali, começou a trajetória de pessoas que hoje ocupam posições de destaque. Escondidos por trás de apelidos e diminutivos estão nomes de políticos como Pedro Parente (ministro-chefe da Casa Civil), o senador Teotônio Vilela Filho, o deputado federal Paulo Octávio (antigo PFL); os artistas Denise Bandeira e Cildo Meireles; donos de institutos de pesquisa, como Marcos Coimbra e Ricardo Penna.
Perseguidos políticos como os irmãos Norton e Honestino Guimarães, e Álvaro e Ana Amélia Lins Cavalcante; jornalistas como Hélio Doyle (Jornal do Brasil) e Sérgio Abranches (Veja) também fazem parte de uma geração que formou líderes na política, no meio empresarial e na vida acadêmica.
Coincidência ou obra do destino, a história do Ciem tem uma peculiaridade. Foi o único colégio a ter como alunos um senador e um Presidente da República cassados. Fernando Collor e Luiz Estevão sobreviveram incólumes a uma época em que os militares cassavam estudantes, mas não resistiram ao regime democrático. “O Ciem desenvolveu a inteligência dos alunos. Uns usaram para o bem, outros para o mal. A formação moral cada um trouxe de Casa”, analisa a professora Teresinha Rosa Cruz, 74 anos, autora do livro “Ciem/Unb: Uma experiência de uma Educação Interrompida”, que será lançado ainda nesse semestre.
Para ela, os meninos do Ciem eram adolescentes como todos os outros, mas que tiveram a chance de estudar numa escola que lhes permitia desenvolver a inteligência e a capacidade crítica. Naquela época, Luiz Estevão era apenas Escovão, apelido que ainda hoje persegue o ex-senador. E Collor atendia pela sugestiva alcunha de Alicate, homenagem às pernas tortas em forma de arco, que ele fez tanta questão de exibir durante a campanha presidencial de 1989.
Sabia-se deles pouco mais do que podiam mostrar nos dias inteiros em que passavam no Ciem, onde estudavam em tempo integral. Collor era o filho de senador que se vestia com blazer e chegava num carro com motorista, acompanhado do irmão Pedro, que mais tarde se tornaria o maior algoz do irmão. Já falava com dedo em riste, era faixa preta de caratê, e gostava de se exibir para as moças. Como outros filhos de políticos, entrou no Ciem sem passar pelo minivestibular que selecionava os alunos.
Luiz Estevão se destacava por sua inteligência e perspicácia, filho de gente rica, ativo participante da turma de jovens bem-sucedidos que assombrava as madrugadas durante farras homéricas na quase deserta Brasília. Era sempre o primeiro aluno. Dele, os colegas e professores esperavam um grande futuro em qualquer área - menos na política. “O Ciem revolucionou a cabeça daquela geração. Ensinava a aprender, a pensar, a criar”, testemunha o ex-senador.
Compartilham da mesma opinião pessoas que acabaram seguindo caminhos opostos após a experiência do Ciem. Como Regina Quintas (hoje Fittipaldi), moça do colégio Sacré Coeur de Marie, que chegou a ficar doente quando experimentou o excesso de liberdade do Ciem.
Por que estou fazendo essa introdução? Porque todos esses moços, eu vou continuar em outras explanações, fazem parte daquele triste assassinato daquela moça, de oito anos, Ana Lídia, que foi assassinada numa balada, onde estavam Fernando Collor de Melo, Paulo Octávio, Luiz Estevão, o filho do Buzaide.
Paulo Octávio, para limpar seu nome, casou com a neta do Juscelino Kubitschek. Esses são os moços que estão envolvidos no escândalo de Arruda. Colegas dele também.
Eles que pediram a perseguição e a morte, Deputado Milton Flávio, e V. Exa. vai entender o que estou dizendo, dos irmãos Guimarães, Ernestino e seu irmão. Esses mesmos moços, o DEM, os demos, os demônios da República. Os demônios. Deus exorcize toda essa quadrilha de demônios.
Fonte:http://www.al.sp.gov.br/StaticFile/integra_sessao/170aSO091130.htm
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
STF abre inquérito contra Collor por Operação Lava Jato
Candidato à reeleição, o senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL) está às voltas com nova investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Quatro meses depois de ter se livrado da última acusação a que respondia na corte ainda referente à sua turbulenta passagem pelo Planalto, Collor agora é alvo de um inquérito para apurar suas relações com o doleiro Alberto Yousseff, preso na Operação Lava Jato sob a acusação de ser um dos chefes de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou ilegalmente R$ 10 bilhões no país e jogou a Petrobras para o centro de duas CPIs no Congresso.
A suspeita sobre o ex-presidente foi remetida ao Supremo, onde correm as investigações envolvendo parlamentares federais e outras autoridades, pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Fernando Moro, após a Polícia Federal identificar comprovantes bancários que mostravam depósitos feitos pelo doleiro, no valor de R$ 50 mil, na conta do senador. Segundo a PF, o repasse foi dividido em oito depósitos em espécie: R$ 1.500, R$ 9 mil, R$ 1.500, R$ 9 mil, R$ 8 mil, R$ 9 mil, R$ 8 mil e R$ 4 mil.
Quando a notícia sobre os depósitos foi revelada, Collor reagiu. “Não sou alvo de nenhuma investigação, menos ainda suspeito naqueles inquéritos”, disse o senador da tribuna do Senado em 26 de maio. De lá para cá, a situação mudou. O Congresso em Foco localizou na página do Supremo na internet o Inquérito 3883, até então desconhecido do público em geral. O procedimento foi aberto no dia 7 de julho pelo ministro Teori Zavascki, depois que a Justiça Federal no Paraná enviou para o Supremo 67 páginas de documentos.
Zavascki designou o juiz Márcio Schiefler para cuidar do caso. Há duas semanas, foi publicada a decisão de Schiefler para mandar a papelada à Procuradoria-Geral da República, que vai começar o trabalho de apuração de fato. O inquérito contra Collor não tem ligação com a nova fase da Operação Lava Jato, iniciada nesta sexta-feira (22) e que tem como principal alvo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
Sem explicação
Collor nunca explicou a origem do dinheiro em suas contas, mas garantiu não ter relações com Yousseff. Em maio, disse que pediria “dados mais concretos” a Moro e Zavascki antes de prestar esclarecimentos. “Não convém, de forma prematura, alimentar uma contenda”, disse ele, ao criticar a revista Veja, que noticiara os fatos.
Passados três meses, o Congresso em Foco procurou Collor novamente. Mas, na quinta-feira (21), o site não obteve nenhuma explicação dele e de seus assessores sobre a origem dos depósitos de Yousseff ou mesmo dos “dados mais concretos” que o ex-presidente buscava.
Para a Polícia Federal, o doleiro era o verdadeiro dono do Laboratório Labogen, que firmou parcerias no Ministério da Saúde com o apoio do ex-vice-presidente da Câmara André Vargas (ex-PT-PR), que, para o Conselho de Ética da Casa, deve ter seu mandato cassado. A PF suspeita que um dos sócios do doleiro na empresa seja Pedro Paulo Leoni Ramos, amigo e ex-integrante do governo Collor.
O ex-presidente não nega o bom relacionamento que mantém com seu ex-ministro de Assuntos Estratégicos. “Mantenho com ele e a família, há mais de 30 anos, relação de amizade e respeito”, disse o senador em maio. O petebista, no entanto, rechaça qualquer contato com Yousseff. “Posso afirmar, de forma e de modo categóricos, que não o conheço e jamais mantive com ele qualquer relacionamento de ordem pessoal ou política.”
Com o inquérito na assessoria criminal do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, caberá ao Ministério Público Federal decidir os rumos da investigação, como pedidos de quebra de sigilo, perícias e tomadas de depoimentos. Até ontem (21), essa avaliação ainda não havia começado.
Ações do Paraná
A Operação Lava Jato resultou na prisão de doleiros e de diversos clientes deles, como o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Collor não era alvo da apuração, mas as ações de busca e apreensão nos endereços de Yousseff encontraram os comprovantes de depósito. Por isso, o juiz Sérgio Moro enfatizou ao STF que, naquele momento, não havia “qualquer indício do envolvimento” do senador nas oito ações criminais em andamento em sua Vara no Paraná.
Para Collor, as declarações do juiz foram entendidas como um salvo conduto. “O principal teor do expediente do juiz Sérgio Moro ao ministro Teori Zavascki foi sua taxativa declaração de que não há qualquer envolvimento meu nos oito inquéritos da Polícia Federal vinculados àquela operação”, disse o senador em maio passado.
Mas, conforme apurou o Congresso em Foco, as afirmações são apenas parte das formalidades do processo. Moro fez questão de explicitá-las por dois motivos. Primeiro, porque realmente o nome de Collor apareceu no caso inesperadamente. Segundo, porque, ainda que acreditasse haver provas de participação do senador em qualquer crime, ao mencionar isso Sérgio Moro traria para si um batalhão de advogados dos réus pedindo que toda a Operação Lava Jato fosse anulada. Afinal, parlamentares só podem ser investigados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
22 anos
Em 24 de abril, o STF arquivou um processo a que Collor respondia pelos crimes de peculato (desvio de dinheiro público), falsidade ideológica e corrupção passiva por falta de provas. A acusação era da época em que ele foi presidente da República, entre 1990 e 1992.
Ao recomendar a absolvição do ex-presidente, o primeiro a sofrer processo de impeachment na história do país, a ministra Cármen Lúcia criticou a fragilidade da acusação. “É preciso certeza, não basta probabilidade”, afirmou a relatora. “Não é um primor de denúncia, na minha opinião.” A decisão, segundo o senador, “reescrevia” a história do país e mostrava que ele havia sido alvo de um “golpe” do Congresso.
Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/stf-abre-inquerito-contra-collor-por-operacao-lava-jato/
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Evangélica Rosane ex-Collor revela "magia negra" era usada pelo ex-presidente
Doleiro Alberto Youssef fez depósitos de R$ 50 mil a Collor
Polícia Federal encontrou comprovantes durante operações de busca e apreensão. Juiz informa ao STF que, por enquanto, 'não há qualquer indício do envolvimento' do senador nos crimes investigados pela Operação Lava-Jato
A Polícia Federal encontrou no escritório do doleiro Alberto Youssef, durante as operações de busca e apreensão da Operação Lava-Jato, oito comprovantes de depósitos bancários em nome do senador Fernando Collor de Mello (PTB -AL). Os depósitos teriam sido feitos no intervalo de três dias, em maio de 2013, e somam 50.000 reais. A descoberta da PF é citada em ofício do juiz federal Sergio Moro, do Paraná, remetido nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para explicar a sua atuação no processo decorrente da Lava-Jato.Procurado, Collor não quis comentar o teor do ofício.
O juiz Sergio Moro cita que os agentes da PF teriam localizado oito diferentes comprovantes bancários em valores de 1.500 reais, 4.000 reais, 8.000 reais e 9.000 reais, realizados entre os dias 2 e 5 de maio de 2013. De acordo com o magistrado, o material apreendido pela Polícia Federal foi encontrado "fortuitamente" durante a busca e apreensão no escritório do doleiro Alberto Youssef, acusado de comandar uma organização criminosa que movimentou mais de 10 bilhões de reais em recursos públicos.
Leia também:
Justiça decreta nova prisão preventiva contra Youssef
Ministro do STF diz que recuou de prisões para evitar 'decisões precipitadas'
"Tal prova e eventual relação entre o suposto doleiro e o referido senador era absolutamente desconhecida deste juízo, tendo sido encontrada fortuitamente durante a busca e apreensão", afirma o juiz Sergio Moro no ofício. O juiz, no entanto, faz uma ressalva sobre a relação entre Collor e Youssef: "Observo que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas", diz em relação ao processo decorrente da Operação Lava-Jato.
Mas Moro também cita as jurisprudências do STF em casos de provas de delitos encontradas em investigações de outros crimes "não sujeitos a sua competência". Para o juiz, eventuais delitos cometidos por autoridades podem ser alvos de outras ações.
Doleiro – Youssef está preso desde março na sede da PF no Paraná e é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e outros crimes. Ele teria articulado com o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, um esquema para desvio de verbas em contratos fraudulentos da estatal na refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. O doleiro é réu em três das oito ações penais abertas pela justiça federal paranaense em decorrência da Lava-Jato, deflagrada em março.
Na segunda-feira, o ministro Teori Zavascki determinou a suspensão das investigações após reclamação dos advogados de defesa de Paulo Roberto Costa, que questionaram a competência do juiz Sérgio Moro sobre o caso. A alegação é que as investigações citavam autoridades, como os deputados federais André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SSD-BA), que têm direito a foro privilegiado. Paulo Roberto Costa foi libertado, mas os outros 11 investigados pela operação continuam presos após o ministro Zavascki rever a abrangência da decisão após o juiz Moro alertar para o risco de fuga dos demais detidos caso fossem liberados.
O ministro solicitou que os relatórios da operação, áudios e transcrições de escutas telefônicas e autos do inquérito fossem remetidos ao Supremo Tribunal Federal. Ao encaminhar os documentos para o STF, o juiz Sérgio Moro fez o ofício, datado do dia 20 de maio, para justificar a sua atuação nas ações. Ele cita o início das investigações, destinadas a apurar crimes de lavagem de dinheiro por doleiros que atuavam em Londrina (PR). A partir das averiguações, sendo constatada a ação do doleiro Alberto Youssef, foram autorizadas novas ações de interceptação e, em seguida, busca e apreensão sobre o doleiro.
"Em desdobramento natural da investigação e por entender que a realização de transações entre eles gerava conexão, autorizei a interceptação destes outros supostos doleiros. Autorizei, em decisões datadas de fevereiro de 2014, buscas e apreensões e prisões relacionadas aos casos", justifica Sérgio Moro. "Em todos esses casos, os indícios relacionados a autoridades com foro privilegiado surgiram em decorrência de medidas investigatórias dirigidas a Alberto Youssef. Jamais houve medida investigatória dirigida contra autoridade sujeita a foro privilegiado", completa.
(Com Estadão Conteúdo)
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pf-encontra-comprovante-de-pagamento-a-collor
A Polícia Federal encontrou no escritório do doleiro Alberto Youssef, durante as operações de busca e apreensão da Operação Lava-Jato, oito comprovantes de depósitos bancários em nome do senador Fernando Collor de Mello (PTB -AL). Os depósitos teriam sido feitos no intervalo de três dias, em maio de 2013, e somam 50.000 reais. A descoberta da PF é citada em ofício do juiz federal Sergio Moro, do Paraná, remetido nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para explicar a sua atuação no processo decorrente da Lava-Jato.Procurado, Collor não quis comentar o teor do ofício.
O juiz Sergio Moro cita que os agentes da PF teriam localizado oito diferentes comprovantes bancários em valores de 1.500 reais, 4.000 reais, 8.000 reais e 9.000 reais, realizados entre os dias 2 e 5 de maio de 2013. De acordo com o magistrado, o material apreendido pela Polícia Federal foi encontrado "fortuitamente" durante a busca e apreensão no escritório do doleiro Alberto Youssef, acusado de comandar uma organização criminosa que movimentou mais de 10 bilhões de reais em recursos públicos.
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Justiça decreta nova prisão preventiva contra Youssef
Ministro do STF diz que recuou de prisões para evitar 'decisões precipitadas'
"Tal prova e eventual relação entre o suposto doleiro e o referido senador era absolutamente desconhecida deste juízo, tendo sido encontrada fortuitamente durante a busca e apreensão", afirma o juiz Sergio Moro no ofício. O juiz, no entanto, faz uma ressalva sobre a relação entre Collor e Youssef: "Observo que não há qualquer indício do envolvimento do referido parlamentar nos crimes que já foram objeto das aludidas oito ações penais propostas", diz em relação ao processo decorrente da Operação Lava-Jato.
Mas Moro também cita as jurisprudências do STF em casos de provas de delitos encontradas em investigações de outros crimes "não sujeitos a sua competência". Para o juiz, eventuais delitos cometidos por autoridades podem ser alvos de outras ações.
Doleiro – Youssef está preso desde março na sede da PF no Paraná e é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e outros crimes. Ele teria articulado com o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, um esquema para desvio de verbas em contratos fraudulentos da estatal na refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. O doleiro é réu em três das oito ações penais abertas pela justiça federal paranaense em decorrência da Lava-Jato, deflagrada em março.
Na segunda-feira, o ministro Teori Zavascki determinou a suspensão das investigações após reclamação dos advogados de defesa de Paulo Roberto Costa, que questionaram a competência do juiz Sérgio Moro sobre o caso. A alegação é que as investigações citavam autoridades, como os deputados federais André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SSD-BA), que têm direito a foro privilegiado. Paulo Roberto Costa foi libertado, mas os outros 11 investigados pela operação continuam presos após o ministro Zavascki rever a abrangência da decisão após o juiz Moro alertar para o risco de fuga dos demais detidos caso fossem liberados.
O ministro solicitou que os relatórios da operação, áudios e transcrições de escutas telefônicas e autos do inquérito fossem remetidos ao Supremo Tribunal Federal. Ao encaminhar os documentos para o STF, o juiz Sérgio Moro fez o ofício, datado do dia 20 de maio, para justificar a sua atuação nas ações. Ele cita o início das investigações, destinadas a apurar crimes de lavagem de dinheiro por doleiros que atuavam em Londrina (PR). A partir das averiguações, sendo constatada a ação do doleiro Alberto Youssef, foram autorizadas novas ações de interceptação e, em seguida, busca e apreensão sobre o doleiro.
"Em desdobramento natural da investigação e por entender que a realização de transações entre eles gerava conexão, autorizei a interceptação destes outros supostos doleiros. Autorizei, em decisões datadas de fevereiro de 2014, buscas e apreensões e prisões relacionadas aos casos", justifica Sérgio Moro. "Em todos esses casos, os indícios relacionados a autoridades com foro privilegiado surgiram em decorrência de medidas investigatórias dirigidas a Alberto Youssef. Jamais houve medida investigatória dirigida contra autoridade sujeita a foro privilegiado", completa.
(Com Estadão Conteúdo)
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/pf-encontra-comprovante-de-pagamento-a-collor
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